quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ebola Espiritual

É impressionante o vestuário e as proteções usadas para evitar o contágio do vírus ebola. Visualizar um enfermeiro cuidando de pessoas contagiadas é semelhante a visualizar um astronauta. 
Atualmente as pessoas parecem estar conscientes do perigo invisível de vírus e bactérias, porém conta-se que antigamente a maioria da população não acreditava na existência destes seres invisíveis a olho nu. Boa parte da descrença estava baseada no fato de que não podiam ver! A evolução dos microscópios e das diferentes tecnologias foi convencendo e conscientizando as pessoas.
A Bíblia fala em inimigos espirituais. Obviamente são invisíveis a olho nu. Porém, tal qual vírus e bactérias, provocam o mal e os sintomas são intensos e bem perceptíveis, tais como: “(...)inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, etc. (Gl 5.20).”
A pergunta é: será que realmente acreditamos na existência de seres espirituais do mal, ou os ignoramos como faziam antigamente com os vírus e bactérias comuns?
A Bíblia é como um microscópio que nos ajuda a perceber e visualizar estes inimigos, porém a lente verdadeira é a fé. Por meio da fé temos “certeza de fatos que não se veem (Hb 11).” 
Pior do que não acreditar na existência destes seres é saber de sua existência e agir como se não soubesse. É evidente que muitas pessoas estão arriscando a sua saúde espiritual, entrando em contato direto com todo o tipo de maldades. Já outros acabam vivendo num mundo recluso, cheios de medo e temor. Exatamente como acontece com as doenças em geral, onde alguns não se cuidam como deveriam, enquanto outros entram em paranoia e simplesmente não saem mais de casa. 
Nem lá, nem cá! É certo que devemos cuidar de nossa saúde espiritual, mas não precisamos abandonar o mundo. Até porque nosso próprio coração é hospedeiro do pecado (Mt 5.18). Por isso, o cuidado verdadeiro que nos garante saúde e liberdade de ir e vir é a presença do Espírito Santo de Deus que purifica nosso ser. Ele nos faz repousar na segurança e na proteção de Jesus. O amor de Deus revelado em Jesus é mais forte do que a morte. “Nada pode nos separar do amor de Deus, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura. (Rm 8.38-39).”
Se o vestuário usado para evitar a contaminação do ebola impressiona, imagina o vestuário espiritual, pois este não é confeccionado por mãos humanas. “A minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça. (Is 61.10)”. Nesta proteção, sejamos enfermeiros espirituais, cuidando e amparando uns aos outros.

Pastor Ismar Pinz
ismarpinz@gmail.com
Comunidade Luterana Cristo Redentor, 
Três Vendas, Pelotas, RS.
22/10/2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PRONUNCIAMENTO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS HISTÓRICAS SOBRE AS ELEIÇÕES GERAIS DO BRASIL - 2014

As igrejas evangélicas históricas do Brasil, em virtude da realização das eleições gerais em 5 de outubro (1º turno) e em 26 de outubro (2º turno) e considerando o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República, vêm junto a seus membros e à sociedade brasileira em geral fazer o seguinte

PRONUNCIAMENTO

1.            Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;
2.            As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social, de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;
3.            A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;
4.            Os chamados mensalões, julgados e ainda  não julgados pelo STF,  expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;
5.            O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;
6.            O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;
7.            Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;
8.            Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.
9.            O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum.
10.         Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.


Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A guerra de Israel

A guerra na Faixa de Gaza tem implicâncias bíblicas? De uma trincheira são os sionistas que buscam nas páginas do Antigo Testamento a reivindicação das terras de Israel, de outra, os islâmicos, expulsos da Palestina na criação do estado israelense em 1948. O radicalismo religioso de ambos, interesses políticos e econômicos, e a própria tendência humana pela guerra, tudo isto pode complicar ainda mais a vida no planeta já amargurado na desgraça da degradação ambiental e social. Além disto, um segmento da cristandade interpreta literalmente, de forma política e geográfica, as profecias bíblicas sobre a restauração de Israel, e nesta guerra, pedem orações em favor dos descendentes de Jacó. Uma visão alimentada pela perseguição maciça contra cristãos em muitas nações que seguem o Alcorão junto com o terrorismo dos radicais muçulmanos - a exemplo do Hamas na Faixa de Gaza - que pregam a guerra santa do islamismo e a conversão do mundo inteiro às regras de Maomé.
 Enquanto isto, se Salomão não vai ao monte Sião, o monte Sião vai a Salomão. Aqui no Brasil foi inaugurada uma réplica majestosa, de cair o queixo, do Templo de Salomão. Tudo para revelar ao mundo as bênçãos terrenas da “igreja de Cristo” - outra guerra santa por interesses políticos, econômicos e territoriais. Uma Faixa de Gaza brasileira nesta mistura insana de política e religião na conquista de poder. Por isto o monte de políticos na inauguração deste templo, tudo na conquista de votos no início de uma campanha em que bombas atingem a ética e a verdade.
 “Meu reino não é deste mundo”, respondeu Jesus a Pilatos antes de morrer na cruz pela humanidade.  Territórios, terras, templos, bens materiais, poder político, glórias, prestígios – a história não nega, tudo isto tem começo e tem fim. Assim, o recado de Jesus com endereço: “Onde está o teu coração está o teu tesouro”. Num mundo de guerras, ganância, ódio, violência, orgulho, vaidades, o Evangelho de Cristo permanece com a solução.
   

Pastor Marcos Schmidt
telefone 8162-1824
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo, RS
2 de agosto de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

“Bah, foi mal”

O Edelson foi assassinado friamente com quatro tiros, confundido com outra pessoa. Um engano parecido com o avião derrubado por um míssil na Ucrânia. “Bah, foi mal”, disse o matador ao perceber o “equívoco”. Ele tinha 42 anos e apesar da deficiência e mentalidade de criança, participava ativamente na igreja luterana do bairro Santo Afonso em Novo Hamburgo. Gostava muito de conversar e era estimado por amigos e vizinhos. Semana passada puxou um papo amistoso comigo, a última lembrança que tenho dele. Um dia depois deste crime, o Mateus, filho do meu colega no Paraná, foi baleado sem reagir no centro de Novo Hamburgo, para lhe roubar o celular. Está residindo na cidade há uma semana e já teve uma “boa” recepção.

Qual a saída? Para a família enlutada só resta o conforto daquele que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11.25). Mas não podemos ficar só com as mãos cruzadas em oração. É preciso indignar-se e exigir das autoridades justiça, paz social e proteção. A violência urbana tem várias causas: desestruturação familiar, incapacidade dos governos, impunidade, corrupção etc. No meio disto estão as drogas, o grande agente dos crimes violentos. Os “acertos de conta”, as chacinas e disputas entre traficantes rivais transformaram-se em rotina. E nesta guerra de bandidos somos confundidos e nos tornamos vítimas.

Tem toda a razão o assassino do Edelson: “foi mal”. Foi o pior mal que alguém pode cometer. Por isto o recado bíblico: “O assassino cava muito depressa a sua própria sepultura” (Provérbios 28.17). Mas a Bíblia também recomenda: “Não paguem a ninguém o mal com o mal (...) Deixem que seja Deus quem dê o castigo” (Romanos 12). Aos homicidas, caso queiram escapar do castigo eterno, basta se arrepender e crer no perdão, pois, incrivelmente, até por eles Jesus orou na cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. O que não exclui a devida punição nesta terra de Caim.