terça-feira, 10 de julho de 2012

Na frente do espelho


Dias atrás foram divulgados os dados religiosos do IBGE coletados em 10% dos questionários. Os números podem não corresponder à realidade, mas de alguma forma revelam que vivemos num país cada vez mais diversificado nas questões de fé, configurando um cardápio bem variado no mercado religioso – igual a um Buffet de restaurante. A Igreja Católica representava 64,6% dos brasileiros em 2010 – 123 milhões de pessoas. As Igrejas Evangélicas, 22,2%  – 42,3 milhões de pessoas. Fora do cristianismo, o censo indicou que 3,2 % eram de outras religiões, 2% do espiritismo, e 8% sem religião – entre estes, 615 mil ateus declarados.

Os números dizem que o Brasil é nominalmente 86,8% cristão. Mas, será que tais algarismos correspondem à realidade? Apesar das diferenças entre as diversas igrejas, ser cristão pressupõe acreditar nos ensinos fundamentais da Bíblia: no Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, na divindade de Jesus, no perdão dos pecados através do sacrifício de Jesus, na ressurreição dos mortos, na vida eterna, no amor a Deus e ao próximo, enfim, naquilo que é a base da fé cristã. Mas, ser cristão é essencialmente viver como tal, já que a fé sem obras é morta, segundo o apóstolo Tiago. E aí começa a ruidosa contradição apontada por não cristãos e ateus. Se somos um país majoritariamente cristão, não deveria existir mais justiça, honestidade, moralidade, amor, misericórdia? Sem dúvida, está faltando conexão, coerência, prática...

Se bem que o cristão, em sua essência natural, é igual a qualquer outro religioso ou não religioso: pecador e cheio de defeitos. Mas, pelo fato de ter “o Espírito de Deus que produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade” (Gálatas 5.22,23), então alguma coisa está errada na cristandade brasileira. Quem sabe, antes de olhar pela janela, melhor mesmo é colocar-se na frente do espelho – uma recomendação do próprio Senhor Jesus.   

Escrito por Marcos Schmidt

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Melhor para Deus



“Não deixe para amanhã aquilo que pode ser feito hoje!” Este ditado popular é bastante usado e continua tendo o seu valor. Por que deixar para amanhã algo importante que está ao nosso alcance fazer hoje? Talvez amanhã seja tarde demais e não tenhamos mais oportunidade de fazer aquilo que podemos realizar agora.
O autor de Eclesiastes dá um conselho extremamente importante para as pessoas, especialmente aos jovens: “Lembre do seu Criador enquanto você ainda é jovem, antes que venham os dias maus e cheguem os anos em que você dirá: ‘Não tenho mais prazer na vida.” (Ec 12. 1) Ou seja, lembre de Deus durante o vigor dos melhores anos e enquanto o espírito empreendedor e otimista da juventude está com eles. Dedique o melhor para Deus.
É comum ouvirmos jovens dizendo: “vou aproveitar a vida, depois eu talvez dedique algum tempo para Deus”. O que seria “aproveitar” a vida, senão dedicá-la a Deus? Pois o autor de Eclesiastes, inspirado pelo Espírito Santo, nos estimula a dedicar o nosso melhor para Deus agora, pois é agora que temos a oportunidade de fazê-lo, usando os dons que ele nos concedeu.
É agora que o nosso vigor e o nosso entusiasmo podem ser usados para que o evangelho de Cristo chegue ao coração de todas as pessoas, transformando vidas, tirando o pecador das trevas do pecado para a luz da salvação em Jesus Cristo.
Podemos servir a Deus de diversas maneiras. O Senhor tem abençoado muitas pessoas com diferentes dons. Uns podem ser evangelistas, outros pastores, outros diáconos, outros bons pais, bons filhos. Não importa o chamado que você tenha, ou as habilidades que possui, é com esses dons que importa servir a Deus.
Uma ótima oportunidade de dar o nosso melhor para Deus este ano é ajudar ofertando para a casa pastoral. Se todos os irmãos unirem forças, conseguiremos de fato os recursos necessários para a conclusão da obra.
Dedique o melhor que você possui a Cristo, invista a sua vida naquele que morreu por todos. Seja instrumento nas mãos do Criador para que a alegria e a salvação possam ser compartilhadas com este mundo tão necessitado de vida verdadeira. 

 Adaptado de "O nosso melhor para Deus, escrito pelo Rev. Gustavo Schmidt

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Paternidade política


Paternidade política

Alguns dias antes de sofrer impeachment na presidência do Paraguai, Fernando Lugo respondeu com ironia que “todos serão bem-vindos”, em referência ao reconhecimento de seu segundo filho e às ações de paternidade movidas por outras duas mulheres. São quatro filhos ou mais, com mulheres diferentes, todos concebidos enquanto ainda cumpria o sacerdócio religioso. Um escândalo moral suficiente para o impedimento no exercício do cargo político. Desta forma, se a saída dele foi ou não um golpe contra os princípios democráticos, isto é irrelevante quando a ética é a base para qualquer governo, made in Paraguai ou made in Brasil.

Estamos em época de campanha política e deveríamos fazer uma análise mais meticulosa na vida pessoal e familiar dos candidatos a prefeito e vereador. Porque, se eles são infiéis na responsabilidade familiar, estarão inclinados em seguir o mesmo caminho na política e na administração dos negócios públicos. Diz a Bíblia que “o bispo deve ser um homem que ninguém possa culpar de nada. Deve ter somente uma esposa, ser moderado, prudente e simples (...)  Pois, se alguém não sabe governar a sua própria família, como poderá cuidar da Igreja de Deus?” (1 Timóteo 3.2,5). Se esta regra é fundamental na Igreja, também é nos demais sacerdócios, sobretudo, da política. O motivo da acentuada corrupção nas diversas ordens sociais, políticas e econômicas, tem sim, explicação: a corrupção familiar. Tudo começa em âmbito doméstico.

Neste descaso, em acentuado cinismo os falsos políticos sempre responderão: “todos serão bem-vindos”. Mas, é o povo que precisa reivindicar a paternidade política? Ou são os políticos que devem ir ao encontro de “seus filhos” e garantir-lhes o bem estar? Ao afirmar que “as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você” (Romanos 13.4), o texto sagrado não apenas legitima a função pública, mas, sobretudo delega responsabilidades éticas e morais àqueles que são os pais e as mães do povo.   


Por: Marcos Schmidt
pastor luterano

segunda-feira, 25 de junho de 2012