sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Tempos instáveis

 As notícias são péssimas para o nosso bolso. Aumento no imposto de renda, alta dos juros, elevação no preço dos combustíveis e da energia elétrica, enfim, tudo subindo. Os resultados logo virão: empresas endividadas e falidas, desemprego, inflação, carestia e pobreza. Enquanto isto, os que devem dar o exemplo, engordam o próprio salário e alargam a dívida pública num cenário onde o governo gastou o que não podia e a corrupção comeu boa parte da riqueza nacional. O que estava ruim fica pior. Sem dinheiro para tapar os buracos nas ruas, arrumar as pontes que caem, pagar os professores, a polícia, os médicos, as coisas começam a se complicar. Um grande contrassenso na sétima economia do mundo. São notícias desagradáveis neste período quando podemos refrescar a cabeça para depois enfrentar a agenda de trabalho. Pior que não tem jeito, vamos ter que pagar as contas que um monte de gente irresponsável e desonesta deixou no nosso bolso.

É a dura realidade, vivemos num mundo instável, corrupto, injusto, ilusório e duvidoso. O Salmo 118 diz que “é melhor confiar no Senhor do que depender de seres humanos”. Não que devemos deixar de acreditar nas pessoas, mas elas sempre vão nos decepcionar. E não adianta apontar o dedo, porque além de vítimas, também somos causadores de desilusões. O caminho curto e fácil seria conformar-se na ideia de que é assim mesmo. Mas não é isto que se espera de alguém comprometido com a Epifania (revelação) do Senhor Jesus. Outro Salmo recomenda: “Não confiem na violência, nem esperem ganhar alguma coisa com o roubo. Ainda que suas riquezas aumentem, não confiem nelas” (62.10).

Confiança é a palavra chave no meio de tanta falsidade. Confiança naquele que disse: “Eu afirmo que isto é verdade: quem crê em mim fará as coisas que eu faço” (João 14.12). Fará aquilo que Jesus faria, ser constante no meio da instabilidade, verdadeiro no meio da mentira, íntegro no meio da corrupção, confiável no meio da desconfiança.


Marcos Schmidt
marcos.ielb@gmail.com
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Diretoria 2015

A Cel Paz, em assembleia reunida no dia 06/12/2014, elegeu a nova diretoria para o ano de 2015.



Que Deus abençoe a cada irmão (a) que coloca seu tempo e seus dons para o serviço na igreja do Senhor Jesus!

Presidente: Alfredo Santos da Silva 
Vice: Élio Dill
Tesoureiro: Carlos David Camargo 
Vice: Ruben Zimmer 
Secretário: Marcelo Silva
Vice: Ivoni Konflanz
Conselho fiscal:
Ornélio Züge
Ari Jersioski
Valmir de Lima

*Comissão do Patrimônio:
Hélio Müller
Hélio Graebner
Vilson Seibel

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sem propina nada funciona?


O advogado de um dos presos na Operação Lava Jato admitiu que sem propina não se faz obra pública no Brasil: "Pode apurar em prefeituras do interior, em uma empreiteirazinha com quatro funcionários. Se ele não fizer acerto, não põe um paralelepípedo no chão". Será assim mesmo, que nada acontece em obras públicas sem desvios de verba? "Todo mundo faz" é a desculpa. É o que se ouve na política, que sem corrupção o esquema não funciona. É o que se ouve no mundo dos negócios, que sem passar a perna nos outros ninguém prospera. É o que se ouve na religião, que sem promessas enganosas ninguém segue a crença. Mas será que não existe outro jeito?

"Propina" vem do grego: pro - a favor, e  pinein - beber. Desde os tempos antigos ocultava-se o suborno dizendo que aquelas moedas eram “para beber” alguma coisa. Ninguém mais duvida que a corrupção está bebendo o petróleo e boa parte das riquezas da nação. O que deveria ser para projetos públicos, é desviado aos propósitos de partidos políticos e da ganância de ladrões. As consequências, além desse jeitinho permissivo que acaba com os valores essenciais da sociedade, são as carências na educação, saúde, segurança, enfim, toda a desgraça que assola o país.

Dinheiro que vem fácil vai embora do mesmo jeito. E o castigo de Deus não demora aos desonestos. O "lava jato" é exemplo. O Criador do trabalho honrado não esconde sua revolta: "Eu vou amontoar castigos em cima de vocês" (Amós 2.13), referindo-se a uma situação parecida que vive nosso país. E por que Deus fica tão revoltado? Porque o dinheiro desviado faz muita gente morrer nas filas dos hospitais, nas estradas mal conservadas, na violência de bandidos que não vão para a cadeia, num monte de coisas. A corrupção econômica provoca genocídio igual a uma guerra mundial. É crime de guerra. Ainda é tempo dos desonestos seguirem o exemplo de Zaqueu (Lucas 19) que recebeu delação premiada de Jesus, devolveu todo o dinheiro roubado e a salvação entrou na casa dele.


Marcos Schmidt
marcos.ielb@gmail.com
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Novo Hamburgo, 22 de novembro de 2014

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ebola Espiritual

É impressionante o vestuário e as proteções usadas para evitar o contágio do vírus ebola. Visualizar um enfermeiro cuidando de pessoas contagiadas é semelhante a visualizar um astronauta. 
Atualmente as pessoas parecem estar conscientes do perigo invisível de vírus e bactérias, porém conta-se que antigamente a maioria da população não acreditava na existência destes seres invisíveis a olho nu. Boa parte da descrença estava baseada no fato de que não podiam ver! A evolução dos microscópios e das diferentes tecnologias foi convencendo e conscientizando as pessoas.
A Bíblia fala em inimigos espirituais. Obviamente são invisíveis a olho nu. Porém, tal qual vírus e bactérias, provocam o mal e os sintomas são intensos e bem perceptíveis, tais como: “(...)inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, etc. (Gl 5.20).”
A pergunta é: será que realmente acreditamos na existência de seres espirituais do mal, ou os ignoramos como faziam antigamente com os vírus e bactérias comuns?
A Bíblia é como um microscópio que nos ajuda a perceber e visualizar estes inimigos, porém a lente verdadeira é a fé. Por meio da fé temos “certeza de fatos que não se veem (Hb 11).” 
Pior do que não acreditar na existência destes seres é saber de sua existência e agir como se não soubesse. É evidente que muitas pessoas estão arriscando a sua saúde espiritual, entrando em contato direto com todo o tipo de maldades. Já outros acabam vivendo num mundo recluso, cheios de medo e temor. Exatamente como acontece com as doenças em geral, onde alguns não se cuidam como deveriam, enquanto outros entram em paranoia e simplesmente não saem mais de casa. 
Nem lá, nem cá! É certo que devemos cuidar de nossa saúde espiritual, mas não precisamos abandonar o mundo. Até porque nosso próprio coração é hospedeiro do pecado (Mt 5.18). Por isso, o cuidado verdadeiro que nos garante saúde e liberdade de ir e vir é a presença do Espírito Santo de Deus que purifica nosso ser. Ele nos faz repousar na segurança e na proteção de Jesus. O amor de Deus revelado em Jesus é mais forte do que a morte. “Nada pode nos separar do amor de Deus, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura. (Rm 8.38-39).”
Se o vestuário usado para evitar a contaminação do ebola impressiona, imagina o vestuário espiritual, pois este não é confeccionado por mãos humanas. “A minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça. (Is 61.10)”. Nesta proteção, sejamos enfermeiros espirituais, cuidando e amparando uns aos outros.

Pastor Ismar Pinz
ismarpinz@gmail.com
Comunidade Luterana Cristo Redentor, 
Três Vendas, Pelotas, RS.
22/10/2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

PRONUNCIAMENTO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS HISTÓRICAS SOBRE AS ELEIÇÕES GERAIS DO BRASIL - 2014

As igrejas evangélicas históricas do Brasil, em virtude da realização das eleições gerais em 5 de outubro (1º turno) e em 26 de outubro (2º turno) e considerando o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República, vêm junto a seus membros e à sociedade brasileira em geral fazer o seguinte

PRONUNCIAMENTO

1.            Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;
2.            As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social, de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;
3.            A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;
4.            Os chamados mensalões, julgados e ainda  não julgados pelo STF,  expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;
5.            O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;
6.            O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;
7.            Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;
8.            Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.
9.            O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum.
10.         Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.


Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras.